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11/03/2026 18:51 Diário do Centro do Mundo (DCM)

Manifestação no Irã. Foto: Divulgação
Alastair Crooke, entrevistado por Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins*
Embora as redes sociais da Casa Branca publiquem seguidas montagens de vídeo intercalando videogames e filmes de Hollywood com imagens reais de seus ataques ao Irã, a situação real não poderia ser mais distante da propaganda norte-americana.
Para dissipar a névoa da guerra e oferecer uma análise concreta do que está acontecendo no Oriente Médio, o escritor e ex-diplomata britânico Alastair Crooke, do site Conflicts Forum,a encontrou-se comingo em mais um episódio do The Chris Hedges Report .
A capacidade de resposta militar do Irã já provocou a redução dos mísseis interceptores israelenses, a destruição de sistemas de radar norte-americanos avaliados em bilhões de dólares e a preparação diligente de uma nova liderança iraniana. Crooke explica que essas perdas do Ocidente imperial e de seu aliado em Tel Aviv são o que está moldando a realidade da guerra hoje.
“Os iranianos dizem que também possuem mísseis mais modernos, que serão apresentados e revelados em seu tempo. Eles ainda não chegaram a esse ponto, mas esses mísseis estão à espera de serem usados no momento certo. Teerã está bastante confiante de que possui enormes estoques de mísseis, capazes de permanecer ativos em uma longa guerra”, diz Crooke.
Ele também aborda as implicações mais amplas que a guerra produzirá no Oriente Médio, em particular nos Estados do Golfo que têm sido subservientes aos interesses norte-americanos e israelenses, agora sujeitos a ataques. “O Golfo Pérsico costumava ser visto como um lugar seguro para grandes empresários, investidores e assemelhados. Isso – férias, companhias aéreas, turismo, data centers — acabou”, diz Crooke. Eis sua entrevista:
Chris Hedges: A incompetência de Donald Trump, Pete Hegseth e Marco Rubio está transformando a guerra contra o Irã em uma versão letal de “A Gangue Que Não Sabia Atirar”. As desculpas e os objetivos da guerra mudam a cada hora. Será que o objetivo é destruir o programa nuclear que Trump insistiu ter sido aniquilado em junho passado? Ou será que os EUA atacaram porque o Irã está a uma semana de produzir material nuclear de grau industrial, utilizável em armas? — uma alegação que Israel os defensores da guerra com o Irã vêm repetindo há três décadas? Será que o objetivo é a mudança de regime? Ou será, como disse Rubio, que a guerra está sendo travada porque os EUA tiveram que se juntar a Israel, que estava determinado a atacar, para evitar ataques preventivos contra alvos americanos?
Os EUA assassinaram os principais líderes do Irã, incluindo o Líder Supremo, e depois mataram o segundo escalão, com quem disseram esperar negociar. “A maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta”, admitiu Trump. “E agora, temos outro grupo. Eles também podem estar mortos, segundo relatos.”
Trump exige a rendição do exército iraniano — ou este, diz ele, “enfrentará a morte garantida”. Afirma que ordenará à Marinha dos EUA que escolte petroleiros e navios através do estreito de Ormuz, uma manobra que colocaria os navios americanos em fila um massacre. O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, insiste que Trump decidirá quem governará o Irã, enquanto o Kuwait, aliado a Washington, abateu três caças norte-americanos. Os EUA, Israel ou ambos (ainda não sabemos quem, exatamente), destruíram uma escola primária, matando 175 meninas.
Mais de mil civis iranianos foram mortos. Teerã está sendo atingida com milhares de bombas. E, no entanto, Trump e seu homólogo em Israel afirmam que esta é uma guerra “de libertação”. A CIA, que passou décadas fomentando um desastre após o outro no Oriente Médio, passou a apoiar o armamento de milícias curdas para derrubar o regime iraniano.
Se há algo claro, é que Trump e sua trupe de desajustados e bufões não têm a menor ideia do que estão fazendo. Para discutir a guerra no Irã e suas consequências, contamos com a presença de Alastair Crooke, ex-diplomata britânico e membro das equipes

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